Olá, seja bem-vindo!


E aceite o nosso convite para visitar testemunhos do passado agrícola de S. Pedro de Rates, uma das localidades de Entre Douro e Minho onde mais rápida e profundamente a paisagem rural se alterou.
Conduzi-lo-emos pelo vale – onde a terra é fértil, onde a água brota, e onde, por isso, se estabeleceram as casas de uns quantos (poucos) grandes lavradores – e pela encosta, em cujo território, pobre e baldio, se radicaram aqueles cuja riqueza maior era a prole numerosa, que "servia" nas casas de lavoura como trabalhadores rurais ou como pedreiros de xisto.
Se no vale estavam plantados alguns moinhos de água, era sobretudo no Monte que os moinhos de vento trituravam o grão.
Se no vale brotava a água (na Granja, na Fonte Antiga, na Fonte de S. Pedro, no Gorgolito, no Vale Maior...), era aí que as mulheres e as crianças do Monte vinham, ao fim da tarde, buscá-la, em cântaros. E era nos lavadouros que todos, os do vale e os do Monte, se encontravam.
A fertilidade do vale e a avareza do Monte, a abundância de poucos e a penúria de muitos, as casas grandes de alguns e os casebres da maioria – enfim, o vale e a encosta entendidos como formas opostas de uma comum e desigual pertença à mesma Terra, num contraste e complementaridade que são fundamentais para um retrato autêntico (humanizado) de S. Pedro de Rates.
Por isso, e logo após a indispensável visita à Igreja Românica (séc.XI-XII), convidamo-lo a caminhar: entre na Praça – olhe-a bem: o conjunto e, particularmente, a Capela (barroca), a antiga Câmara e o Pelourinho – e avance pela Rua Direita até à Fonte de S. Pedro; subindo, e após passar a Casa Mattos (turismo rural), estará a caminho do Largo de Santo António, espaço de devoção e de festa de uma comunidade cuja economia estava ligada à criação de animais; aqui chegado, entre na Casa de Lavrador, onde a eira, o espigueiro e outros espaços recriarão o ciclo dos cereais e do linho; desça o caminho da Fonte Antiga e do seu lavadouro – que serviram a população do Centro Histórico; avance agora pelo caminho tradicional da Via-sacra (cujas estações estão assinaladas por Cruzeiros) até ao Moinho de Vento, onde os grãos do milho, do trigo e do centeio vão voltar a fazer farinha; mais abaixo encontrará um Parque de Merendas – ocasião para uma pausa, antes da incursão na Fonte do Pedro, um belíssimo espaço natural que acolhe uma das lendas fundadoras da cultura ratense – a da Moura Encantada, só presente em sítios carregados de história; o passo seguinte é a Fonte da Granja, a mais abundante (matava a sede, regava os campos, lavava a roupa) – e, quando o regato próximo ajudava, até trabalhava o pequeno moinho da família que, morando ao lado, passou a assinarse "da Fonte"; continuando no vale, o destino é agora a Azenha do Pego, um edifício onde se moía grão e se serrava madeira – tudo por tracção hidráulica. E, depois, caminhando nas margens ou sobre a antiga via-férrea, o viandante tem de frente a lonjura do vale fértil – e a razão primeira por que, à sombra tutelar do Mosteiro, o casario sempre respeitou o solo: porque este, dando pão, era sagrado.
Foi em torno destes itinerários do pão e da água que construímos, no cenário de um distante passado, o ECOMUSEU DE S. PEDRO DE RATES, assente num conceito amplo de património – que não é só a Igreja Românica e o Centro Histórico, ou o caminho de peregrinação a Santiago de Compostela, ou as culturas do linho, do pão e do vinho, ou a cor e a arte do xisto e da arquitectura rural, ou os moinhos de água e de vento, mas também os instrumentos tradicionais de trabalho, a festa ao Senhor dos Passos, os trajes, as danças e os cantares, a paisagem rural - enfim, tudo isso que, integradamente, deve ser preservado e valorizado, porque tudo define e afirma a identidade cultural de S. Pedro de Rates.
O percurso que convidamos a fazer tem oito quilómetros de extensão.
E se, entre algumas estações, o automóvel pode auxiliar a visita, é a pé – garantimos isso! – que ela saberá melhor: ao prazer espiritual da descoberta juntará o prazer físico da caminhada. Aconselhamos calçado desportivo – ou outro, adequado a um piso nem sempre regular – e roupa própria da época. Uma garrafa de água será conveniente, se bem que encontre locais onde matar a sede e reconfortar o estômago.


Boa caminhada!

Dr. Armindo Ferreira