Tal como Julho é o mês do Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim – que, obviamente, visita Rates – também Maio é o mês do Ciclo de Música Sacra da Igreja Românica de Rates. Vencido o desafio e criado o hábito, o Festival e o Ciclo pertencem já à tradição cultural poveira, ambos em torno da música, e da melhor música – o Ciclo com a particularidade de ter nascido em meio que, à partida e aparentemente (friso o “aparentemente”), lhe não auguraria a adesão popular e a crescente sustentabilidade. Mas estas eram as conjeturas de quem não conhecia, no plano histórico-cultural, a força aglutinadora e mobilizadora da música (e da música sacra), admirada e documentada na região há, pelo menos, século e meio, graças ao prestígio, no âmbito da cultura musical, de figuras da igreja (os Padres Paulo Gonçalves Ferreira, Celestino Azevedo e Arnaldo Moreira, entre outros) e da sociedade civil (os irmãos Praça, Avelino Faria, José Ramalho…), cuja capela (a Academia Ratense…) era respeitosamente escutada nos círculos culturais mais exigentes. E essa cultura (que obviamente tinha razões históricas nas sonoridades que a população local captou, ao longo dos séculos, na igreja do Mosteiro) deixou raízes que, apesar da aparente aridez que se lhe seguiu, estavam vivas e prontas a despertar nesta nova primavera musical.
O Ciclo de Música Sacra é, pois, a religação dos tempos (ou seja, a eliminação de um hiato), reassumindo a importância cultural e a presença identificadora que a grande música sempre teve na comunidade e de que nunca devia ter sido afastada, e fazendo-o no cenário simbolicamente mais adequado, a Igreja Românica.
O receio, que muitos tiveram, de insucesso radicava, pois, no desconhecimento da história e do vigor com que a música marcara a localidade – vigor que igualmente explica o surgimento e a consolidação do projeto cultural e educativo a que a Melodiartes deitou mãos: a Escola de Música Arnaldo Moreira, que é hoje o principal suporte organizativo deste Festival, com a Junta de Freguesia (que há anos lançou o Ciclo de Música Sacra e, posteriormente, a Escola de Música) e a Câmara Municipal (parceiro desde a primeira hora).
Saúdo, pois, todos quantos contribuem para a continuidade, consolidação e expansão desta iniciativa, que prestigia S. Pedro de Rates (em ano particularmente festivo) e a Póvoa de Varzim.

 

Póvoa de Varzim, Maio 2017
O Presidente da Câmara